Desaforo! Para pagar tradutor…

Veja aqui os escritórios do Facebook.  Mas para pagar traduções, não tinham dinheiro.

Desculpe, gostaria de fazer um comentário mais longo e mais profundo, mas a ira perante tanto descaramento e a raiva de quem trabalhou de graça para ganhar retratinho na Internet me tolhem o flamente verbo, como diriam os oradores antigos.

O velho código de ética da antiga ABRATES (haverá ainda quem o tenha?) dizia que era proibido trabalhar de graça para quem pudesse pagar. A regra me parece cada vez mais válida.

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


12 Comentarios em "Desaforo! Para pagar tradutor…"

  • A gente ganha o cliente e a agência pede desconto « Tradutor Profissional
    03/05/2010 (7:20 pm)
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    […] ainda estava começando e não tinha dinheiro. Lembrou daquele comentário do Renato Beninatto ao artigo sobre o FaceBook , onde ele diz que o FaceBook não tinha dinheiro para pagar tradutores, embora tivesse dinheiro […]

  • João Roque Dias
    28/03/2010 (3:24 pm)
    Responder

    Boa, Danilo! E, utilizando uma velha frase da Marinha portuguesa, fogo à peça neles! O “crowdsourcing” apenas aproveita o fundo bom que existe na espécie humana (e que a distingue). Mensagem sobre criança com leucemia dá 570 vezes a volta ao mundo a cavalo na Internet (apesar de sabermos que 99% das vezes é uma mentira atroz). Eu taduzi, traduzo e continuarei a traduzir gratuitamente para causas nobres, humanas e grátis. Para “causas” comerciais, que paguem a factura. Não me interessa que o “livro de caras” não tenha versão em português, ou que os gajos não tenham lucros. Querem serviço, paguem! Afinal, não conheço métodos de “crowdpayment”, quando se trata de pagar as minhas contas. O “livro de caras” também não, excepto quanto a serviços de tradução…

  • Simon Foakes
    26/03/2010 (1:59 pm)
    Responder

    Acho que chamam esse tipo de tradução gratuita de “colaboração”, e que essa atividade é exercitada de maneira “voluntária”. Se não quiser trabalhar de graça, não tem problema. Da mesma maneira que sempre teremos tradutores que cobram menos, podemos ter tradutores que cobram nada. So what! Temos muito trabalho no mercado para tradutores de todos os estilos. Se alguém se propõe a trabalhar de graça, não vejo porque isso causaria uma sensação de ira. Deveria gerar uma sensação ou de pena da pessoa executando o trabalho, por se sujeitar a algo para ganhar um “retratinho”, ou de satisfação com o estilo colaborativo da nova era da informação. A pergunta é, o que é que o “tradutor profissional” tem que vale a pena o preço que ele (ou ela)cobra?

    Do outro lado, temos a abordagem “you get what you pay for”. Claro que a colaboração ao traduzir um site como o Facebook não vai criar uma interface padronizada com uma linguagem totalmente alinhada. Mas nem o tradutor individual conseguiria fazer esse tipo de trabalho com a qualidade necessária. Teria que ser um projeto para uma agência grande, com toda a infra-estrutura necessária e com o custo que isso significa, que não é barato (e pelo qual os tradutores geralmente recebem um pagamento pouco atraente). Se o Facebook está satisfeito com o trabalho “colaborativo”, ótimo. Senão, vai procurar profissionais. Ótimo também.

    Com todo o respeito para Daniel e Manuela, a minha opinião é que não temos que “nos defender” e a tradução não “escapará das nossas mãos”. A Internet como um todo gera mais trabalho de tradução, a facilidade de se comunicar que a Internet nos ofereceu multiplicou em muitas vezes o volume de tradução necessária e a tendência da nossa indústria é de crescimento. Se isso também traz consigo algumas situações como essa, do Facebook, comentada pelo Danilo, os benefícios são muito maiores que os prejuízos (se realmente são prejuízos). E em falar de prejuízos, um outro ponto a nossa favor é o fato desse tipo de tradução gratuita e colaborativa ser, em geral, de menor qualidade, que enaltece ainda mais os tradutores que oferecem mais qualidade e que cobram por isso. São vários os clientes que tenho que não queriam me contratar por achar meu serviço caro, mas ao experimentar o trabalho mais barato dos “cenossão e amadores”, voltam. Muitos também não voltam, mas tem tanto trabalho para o tradutor profissional que não faz nenhuma diferença. Quem é bom, é bom, e sobressai. Quem trabalha de graça não continuará por muito tempo, porque ninguém vive de ar (ou “retratinhos”). Outra pergunta, então, é o que dizer dos sites de agências de tradução que oferecem traduções gratuitas? Percebi agora que acabo de repetir muito que o Daniel falou, e peço desculpas.

    O Daniel comenta que temos que nos preparar para esse novo mundo tecnológico. Então, como se prepara para esse cenário? Nada mais fácil. Como o Renato já falou N vezes, a qualidade não importa mais. A qualidade do trabalho de tradução é um pressuposto. O tradutor profissional (e poderíamos passar outros tantos posts discutindo o que isso realmente é) deve trabalhar como um bom prestador de serviços. Sua aparência importa (seu site, a assinatura do seu email, seu cartão de visita), a sua linguagem e postura, o cumprimento de prazos, etc. Você não é um tradutor, você é uma solução. O mais acessível que seja essa solução, o mais disponível, o mais que se encaixa com os requisitos do cliente, melhor. Ao ganhar o cliente, passamos a ser back office workers, invisíveis, facilitadores. Vou parar por aqui, senão acho que vou ainda mais off topic, mas para resumir, não vejo problema nenhum com a situação de tradução gratuita do Facebook (que se repete em MUITOS outro casos).

    Abraços!

  • Renata Armindo
    26/03/2010 (11:01 am)
    Responder

    Danilo, eu disse no Twitter que concordei totalmente com as colocações do Daniel, não apenas porque ele falou que por sermos tradutores, não somos donos do ofício e qualquer pessoa pode fazer uma tradução. Acho que os pontos que ele levantou – e as outras pessoas depois dele – são muito válidos.
    De modo geral, também sou contra fazer traduções grátis, mas tudo depende da situação. Traduzir um software, um documento importante, um manual sem cobrar é uma coisa, os usuários de sites de relacionamento fazerem as traduções desses sites, é outra coisa.
    É como a questão da legendagem, por exemplo. Hoje em dia você pode baixar qualquer coisa na internet com legenda em português. Isso tira o trabalho dos tradutores profissionais de legenda? Acredito que não. A qualidade é excelente? Não. Mas permite que muita gente veja seu filme, seu seriado, e pronto. Quando isso for passar na TV, terá a legenda devidamente feita pela Gemini.
    Hoje em dia, acho que há espaço para tudo. Cada um no seu quadrado.
    Abraço,
    Renata

  • danilo
    26/03/2010 (9:21 am)
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    Todos os comentários feitos ao artigo acima mostram que eu me expressei muito mal e me cabe a obrigação de me explicar melhor, agradecendo aos comentaristas pela colaboração. Mas as minhas explicações vão ter de esperar até domingo. Espero que, até lá, outros apareçam para enriquecer a discussão com suas ideias.

  • Manuela Sampaio
    26/03/2010 (8:29 am)
    Responder

    Danilo, tendo a concordar com o Daniel: com MTs e crowdsourcings e etc, a tradução cada vez mais escapará de nossas mãos e, sim, acredito que ficará mais medíocre. Como já apontado por várias pessoas, nosso trabalho será valorizado pela qualidade e não a mera habilidade de verter um documento de um idioma a outro. Os clientes que não prezam pela qualidade? Perderemos (graças a Deus).

    Quanto ao não pagamento por um serviço, há um outro aspecto aí: o Facebook (e Twitter, Gmail, etc.) oferece um serviço pelo qual não cobra, lucrando de formas indiretas. Poderia cobrar uma taxa simbólica para sua utilização, e tenho certeza que muitos pagariam. Preferem economizar onde podem (tradução) e gastar onde não há outro jeito (arquitetos, engenheiros e quejandos).

    Da minha parte, o meu retorno, financeiro ou não, tem que estar bem evidente para eu aceitar um serviço. Ganhar retratinho na internet? Não sei avaliar ainda o retorno disso. Mas recentemente troquei meus serviços por uma geladeira. E já trabalhei também na base de “troca de favores”, sem retorno financeiro imediato. Em ambos os casos, valeu a pena.

    Abraços!

  • Tweets that mention Desaforo! Para pagar tradutor… « Tradutor Profissional -- Topsy.com
    25/03/2010 (11:02 pm)
    Responder

    […] This post was mentioned on Twitter by Juana Portugal, Heloisa Velloso, Iara Regina Brazil, Ricardo Souza, Petê Rissatti and others. Petê Rissatti said: RT @DaniloNogueira Por favor, vejam isto e, se gostarem, retuitem http://ow.ly/1qP39 (caramba!) […]

  • Renato Beninatto
    25/03/2010 (10:12 pm)
    Responder

    Danilo e Daniel,

    Excelentes pontos. Mas Danilo, minhas perguntas são simples: Quanto você paga para usar o Facebook? Nada. Quanto você paga para usar o Twitter? Nada. Quanto você paga para usar o LinkedIn? Nada.

    A questão do escritório é apenas distração. Quem conhece a economia do facebook, sabe que eles não geram renda suficiente para pagar as próprias contas. O dinheiro que eles têm é de investidores, não de receita própria.

    Se você ainda não leu, eu recomendo para você e todos os seu leitores o livro Free, de Chris Anderson. Não sei se já tem edição em português. Em conjunto com “The Wisdom of the Crowds” a gente consegue ter uma boa idéia de como essa parte da economia funciona.

    Como eu disse em Porto Alegre, a gente acha ridículo que os fotógrafos fiquem ofendidos quando a gente oferece uma foto grátis na internet. Os motoristas de táxis e de ônibus ficam furiosos com descontos no IPI porque as pessoas não precisam mais de transporte coletivo se podem comprar carros baratos. Quando doi no bolso da gente, a história muda.

    A verdade, como você sabe, é que tem mercado para profissionais como você, para profissionais cenossão e para amadores. Cada um na sua e todos ficamos felizes no final. Com código de ética e tudo.

  • Daniel Estill
    25/03/2010 (8:57 pm)
    Responder

    Por que essas outras profissões incluem uma série de exigências que a tradução não inclui. Um projeto arquitetônico daqueles só quem consegue fazer é alguém muito preparado, assim como uma tradução mais complexa é feita por tradutores profissionais. O Facebook não convoca as massas para traduzir EULA ou qualquer outro documento mais importante, apenas a bobajada da interface e um que outro arquivo de suporte, talvez. Vale a pena investigar até onde eles foram com a tradução gratuita. Repito: um fato da vida com o qual temos que aprender a conviver é que tradução não é exclusividade de tradutor.

  • danilo
    25/03/2010 (6:32 pm)
    Responder

    Daniel, mas, se é uma questão de marketing e relacionamento e tal, por que não pediram aos arquitetos, engenheiros e quejandos que trabalhassem grátis?

    O impacto das novas tecnologias vai ser o tema da próxima Sala 7, no dia 8 de abril, com repetição no dia 10 do mesmo mês. Espero que você possa estar presente em uma das apresentações e participar.

    Obrigado pelo comentário. Amplexos.

  • Daniel Estill
    25/03/2010 (2:47 pm)
    Responder

    Danilo,
    Esse assunto rende panos para muitas mangas. Mas, só para início de conversa, a questão no Facebook nunca foi financeira, mas sim mercadológica e de relacionamento com os usuários. Essa é a explicação que eles dão, que certamente incomoda a quem traduz profissionalmente. O mais importante, no entanto, e algo para o que precisamos prestar atenção, é que, com as novas tecnologias, traduzir se torna cada vez mais fácil e acessível para não tradutores. O fato de sermos tradutores não nos faz “donos” da atividade. Mais do que nunca, qualquer um pode traduzir e os consumidores de tradução têm todo o direito de escolher como querem que suas traduções sejam feitas. No caso do Facebook, um site de relacionamento, nada mais natural que os próprios usuários façam as traduções em troca seja lá do que for que acharem interessante. A gente pode achar ruim, considerar as explicações como pura hipocrisia e espernear à vontade, mas situações assim continuarão a existir e serão cada vez mais comuns. Isso provavelmente vai se tornar uma prática em várias áreas. A única maneira que temos de nos defender é traduzir cada vez melhor e com mais proficiência, e mostrar, sempre que possível, a diferença entre uma tradução amadora e uma profissional. Ao cliente, cabe escolher quando usar um profissional e quando será vantajoso usar a tradução comunitária. Essa realidade está dentro daquela tal nuvem para o qual nosso teco-teco se dirige. A discussão passa a ser como nos prepararmos para ela.

  • uberVU - social comments
    25/03/2010 (1:20 pm)
    Responder

    Social comments and analytics for this post…

    This post was mentioned on Twitter by acmorgan: RT @DaniloNogueira Por favor, vejam isto e, se gostarem, retuitem http://ow.ly/1qP39


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