Dez pensamentos sobre preços

 

  1. Sobre preços de traduções, conheço este texto, do Jorge Rodrigues  este, do SINTRA,  e as diversas tabelas das Juntas Comerciais, encontradas nos sites de cada uma.
  2. As tabelas das Juntas se aplicam exclusivamente a traduções juramentadas. Nada impede que você cobre suas traduções não juramentadas com base nessas tabelas, mas ninguém é obrigado a cobrar ou pagar esse preço. Se você não for juramentado, não pode fazer traduções juramentadas e acabou a história.
  3. O SINTRA não tem autoridade para obrigar ninguém a cobrar ou pagar os valores de referência que publica. Muitas vezes, as agências cobram de seus clientes esses mesmos preços, o que significa que têm de pagar a seus tradutores bem menos do que isso. Algumas editoras pagam esses valores, mas são a elite da elite e trabalhar para elas é coisa para caninos de grande porte. A maioria paga menos, bem menos. Pensa, assim, em coisa de $25,00 por lauda, para uma editora, assim você tem menos decepções.
  4. As editoras consideram o pagamento por lauda a remuneração total devida ao tradutor e, depois de um forrobodó imenso havido com uma tradutora, agora fazem constar essa disposição nos contratos. Quer dizer, venda muito ou venda pouco o livro, o que o tradutor recebe é o preço por lauda. Creia-me: na maioria das vezes, é mais vantajoso para o tradutor. Ainda escrevo sobre isso, mas não hoje.
  5. As agências brasileiras seguem os padrões claramente expostos no texto do Jorge, citado aí acima. Cobrar, de qualquer cliente que seja, menos do que as taxas de agência é antieconômico.
  6. As agências estrangeiras chegam lá aos US$0,15 no máximo, mas a maioria paga menos. De vez em quando, me aparece uma agência indiana oferecendo US$0.01 por palavra. Mas assim, também é menos demais, se me faço claro.
  7. Para clientes diretos, cobra-se qualquer coisa entre preço de agência e SINTRA. Cobrar preço de agência para cliente direto dá prejuízo, porque trabalhar para agência dá menos trabalho do que trabalhar para cliente direto. Por isso, a regra é mais para mais do que para menos.
  8. Pessoas físicas costumam ficar escandalizadas com preços de traduções. Reclamam que cobramos muito e que não podem pagar tudo isso. É seu direito cobrar quase nada por um serviço para uma pessoa física, mas não é sua obrigação: quem paga o supermercado é você, não o cliente. E você também não pode pagar férias nas Bahamas e nem por isso chama o dono da agência de viagens de ladrão, explorador do povo e quetais.
  9. Algumas pessoas físicas escreveram livros que acham magníficos e que vão estourar nas vendas da Amazon, se você traduzir para uma língua estrangeira. Oferecem, pelo seu serviço, uma porcentagem nas vendas, que esperam serem estrondosas. Fuja correndo. O sonho deles de ter um livro publicado pode se transformar no teu pesadelo de ter de pagar o supermercado.
  10. Cobre o máximo que puder. Cobrar caro não é desonestidade. Desonestidade é roubar na conta.

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


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