E essa tal de crise, heim? (continuação)

O problema maior de qualquer crise não é econômico, mas sim emocional. A gente tende a se apavorar e se limitar a reduzir preços, o que é um erro. Em crises, muitas vezes é necessário aceitar serviço a preços mais baixos, até porque a demanda pelos nossos serviços cai e aumenta muito a quantidade de gente querendo traduzir. Entretanto, achar que a solução é cortar os preços é de uma ingenuidade triste.

Quando consultado sobre preços, jamais diga “Ah, bom, eu estava cobrando dez, mas sabe, a crise anda feia e tive que baixar para oito”. Isso é uma demonstração clara de que as coisas andam mal para o seu lado e onze entre cada dez clientes, ao ouvir uma afirmação dessas, vão tentar chupar o teu sangue por canudinho.

Se o cliente perguntar como você anda de serviço, lembre que nada obriga você a dar essa informação. Quanto você tem de serviço, quanto trabalha, quanto ganha, são dados confidenciais. Já chega o leão, que fica futricando a nossa vida. Não se pode responder com um ressonante “não é de sua conta”, lamentavelmente. Se você for do tipo gozador, pode sair com uma brincadeira qualquer, do tipo “não seja curioso”, “é confidencial”, “quê? Detetive, você, agora?” ou coisa que o valha. Se não for, ou se o relacionamento com o seu cliente for mais formal, cite o último serviço bom que você fez — mas não vá dizer “bom, há três meses recebi uma lauda e meia de uma agência aí, mas ainda nem conseguir receber”. Enfim, você me entende.

Logo volto ao assunto, mas por hoje é só.

Redigido por Danilo, com as habituais sugestões, revisões, palpitações e puxões de orelhas da Kelli.

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


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