Livros, editoras, direitos autorais (continuação)

Para terminar esta novelinha, vamos ver como fica o tradutor, aqui no caso.

Ao decidir publicar uma obra escrita originalmente em língua estrangeira, a editora pode optar por uma tradução que esteja em domínio público e, dessa forma, não pagar tradução. Há toneladas de traduções em domínio público, desde trabalhos interessantes, como o que Odorico Mendes fez há mais de cem anos, até montes de más traduções de literatura de qualiade duvidosa. Para publicar essas traduções, não se paga nada, da mesma forma que nada de paga para republicar os Lusíadas, que também estão em domínio público.

Porém, mesmo que a obra original esteja em domínio público, se a editora quiser uma nova tradução, tem de pagar o tradutor. Então, em resumo, se a editora quiser republicar o Virgílio traduzido por Odorico Mendes, não tem que pagar nada para ninguém. Por outro lado, se quiser publicar Virgílio traduzido por Danilo Nogueira, vai ter que me pagar.

Aí, creio eu, começa a confusão. Quando a Editora SBS se dispôs a publicar os meus glossários, tratou-me como autor e me propôs a escolha entre uma participação nas vendas e uma cessão por quantia fixa. Se eu tivesse aceitado a quantia fixa, receberia um pagamento imediato e jamais receberia mais nada. Trocaria o certo pelo duvidoso. E ia morrer de rir quando alguém me enviasse, como enviou, edições pirateadas dos meus livros. E se o livro fosse um formidável encalhe, esse seria problema do editor, não meu. E não ficaria esperando para receber os meus direitos uma vez a cada seis meses. Mas optei pelo pagamento em porcentagem, até para acompanhar as coisas. Ganho uma ninharia, mas posso me dar a esse luxo, porque não vivo de publicar glossários. Vivo de traduções. Se vivesse de traduções, não poderia ficar esperando tanto tempo para ir recebendo meu pagamento.

Quando se trata de tradução, o mesmo sistema poderia ser aplicado: o editor poderia dizer ao tradutor: O que você prefere? X reais na entrega do trabalho ou Y% das vendas? O fato é que nem no Brasil nem em lugar algum do mundo se faz isso. Tradutor de editora tem o pagamento de seus direitos convertido em quantia fixa e, ao entregar a tradução, você recebe tantos mil reais e adeus.

Pensei que ia acabar a novelinha hoje, mas sobrou um rabinho para amannhã. Paciência. Quem sabe, de curiosidade, você aparece amanhã de novo.

Aproveite que você está aqui, é dê uma olhada no …e Vice-versa.

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


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