Haroldo Netto

Então, perdemos, esta madrugada, o Haroldo Netto. Há tempos que não trocava mensagens com ele. A nova vida, com Internet, nos faz conhecer muita gente, mas não nos permite manter contato com todos. Uma pena, mas faz parte da modernidade.


O Haroldo, nascido em 1932 e tradutor desde 1959, fazia parte da velhíssima guarda tradutória e é pena que não nos tenha deixado suas memórias escritas: era um poço de experiência e boas histórias. A epítome do gentleman carioca, representante de uma sociedade culta, gentil, acolhedora e bem humorada.

Traduziu resmas de contos para revistas como “Querida”, “Contos de Amor” e “Romance Moderno”, período de que tinha recordações hilárias, como os contos ambientados nas “praias tropicais do Uruguai”.

Militar, participou do Batalhão Suez, como tradutor, entre 1966 e 1967, já com a patente de capitão, e depois esteve em Fort Leavenworth para traduzir a “Military Review”, revista militar dos EUA.

Mas foi traduzindo cada vez mais livros. Traduziu desde Anaïs Nin a Ken Follet. Muitas de suas traduções foram publicadas sob pseudônimos. Se você encontrar numa livraria uma tradução de Paulo Azevedo ou E. Arthens, saiba que foi o Haroldo quem fez.

Sempre receptivo aos mais novos, sempre pronto com um conselho, com uma palavra amiga. Uma conversa gostosa, lenta, tranquila.

Foi-se o Haroldo. Havia tempos que queria escrever para ele fazendo umas perguntas. Agora, não adianta mais.







EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


6 Comentarios em "Haroldo Netto"

  • Silvia
    24/06/2009 (2:53 pm)
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    A "cachorrada" agora são dois. Já estão velhinhos, o grandão não anda mais direito, volta e meia precisa de uma ajudinha. Já a outra velhinha ainda está faceira, correndo atrás de bolinhas sempre que pode. 🙂

  • Danilo Nogueira
    22/06/2009 (7:05 pm)
    Responder

    Silvia, sua sumida, que bom ver que você leu. E a cachorrada, como vai?

  • Silvia D. Schiros
    22/06/2009 (6:06 pm)
    Responder

    Figuraça, uma simpatia. Também não me comunicava com ele há tempos.

    E a gente sabe quando a pessoa deixou um legado gostoso assim, quando os comentários mostram como era querido.

  • Anonymous
    19/06/2009 (3:13 pm)
    Responder

    Sõ e-conheci o Haroldo, mas foi o suficiente para ter a dimensão da perda.

    E sobre as praias tropicais uruguaias e a Amazonia logo ali na Floresta da Tijuca, quem não lembra do James Bond navegando no Amazonas e, de repente, não mais que de repente, mergulhando com barco e tudo nas Cataratas do Iguaçu? E no mesmo filme gaúchos devidamente pilchados passeavam pelo centro histórico do Rio… não o Grande do Sul, mas o de Janeiro! Ah, boleadeira em punho, claro!
    Raquel

  • Anonymous
    19/06/2009 (2:40 am)
    Responder

    Danilo
    Veja o que escrevi sobre o Haroldo com link para o seu blog, no meu. http://crisvnf.blogspot.com/
    Um artista da tradução
    Sempre admirei os bons tradutores, aqueles que sabem transpor para um determinado idioma o que foi escrito em outro, preservando suas nuances, seu ritmo, a dinâmica da língua. Exige um tremendo domínio, não apenas dos idiomas em questão, mas de texto. Para mim, tradutor é, sem dúvida, um co-autor. E, nas primeiras páginas, a gente reconhece de cara quando algo foi bem traduzido ou não. Acabamos de perder um de nossos grandes tradutores, o Haroldo Netto. Fazia parte da velhíssima guarda e, contam seus amigos, era um poço de experiência e boas histórias. "A epítome do gentleman carioca, representante de uma sociedade culta, gentil, acolhedora e bem humorada", afirmou Danilo Nogueira em seu Tradutor Profissional. Não o conheci mas certamente li muitos de "seus" livros. Traduziu Anaïs Nin, Ken Follet e, principalmente, Henry Miller. Pois é, você talvez nunca tenha ouvido falar no Haroldo Neto mas certamente já se deliciou com suas cuidadosas traduções de Sexus, Nexus e Plexus.

  • Roberto Bechtlufft
    18/06/2009 (10:26 pm)
    Responder

    É mesmo uma pena, Danilo. Tanto o falecimento quanto a falta de registros.

    A história que você mencionou das praias tropicais do Uruguai me lembrou uma outra… certa vez, ouvi sobre um tradutor (quem sabe não era ele?) que teve que traduzir um desses livrinhos do tipo "Julia" ou "Sabrina". Na trama, a mulher viaja aqui para o Brasil e fica hospedada no Copacabana Palace. Disposta a conhecer as belezas tropicais, ela deixa o hotel, chama um táxi e vai passear… na floresta amazônica!


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