Malabarismos com memórias de tradução

Além de tradução, revisão e treinamento, também presto serviços de consultoria na área de informatização da tradução, uma das coisas mais divertidas que faço no momento. Às vezes, até mais divertida que escrever no blog. Hoje vou contar uma das minhas aventuras de consultor.

Um dos meus clientes há muitos anos comprou um DV3, excelente programa que hoje lamentavelmente está fora do comércio. O DV3, entre outras coisas, produz uma tabela em formato Word, com o original do lado esquerdo e lugar para a tradução do lado direito. A isso se chama um “arquivo exportado em duas colunas”. O cliente manda esse arquivo para o tradutor externo, que coloca a tradução na coluna da direita e devolve. O cliente faz as alterações que quer, reimporta o texto para o formato DV3. Depois, manda o DV3 exportar de novo no formato em que veio o original. É um sistema muito divertido e prático. Inclusive, já recebi (não desse cliente) um texto desses em duas colunas e traduzi em Wordfast. Beleza!

O problema é que, no caso que estou contando a você hoje, eram arquivos Excel enormes, alguns com mais de 40 planilhas, cheias de desenhos, corzinhas, títulos com fontes diferentes, o diabo. Para quem trabalha com DV3 é fácil, porque o DV3 usa um sistema de códigos. Por exemplo, se o cliente pula de Times New Roman 12 para uma fonte maluca que só ele tem, com 17,8 pontos, cor-de-burro-quando-foge, o DV3 continua apresentando ao tradutor um texto normal, simples e um código que avisa que mudou a formatação. Você copia o código e deixa o resto por conta do DV3.

O problema foi na hora de exportar o arquivo acabado. Os arquivos eram tão complexos que o DV3 se embananou e fez uma meleca dos diabos com dois deles. Traduzir aqueles arquivos extremamente confusos a muque, pelo método tradicional, estava fora de cogitação.

Aí, entrei eu em ação, converti o projeto em outro formato e reaproveitei usando um programa que o meu cliente não tinha nem sabia usar. Um tempinho de trabalho, mas deu tudo certo, para satisfação do cliente – e minha. O cliente teve que me pagar, claro. Entretanto, mesmo assim, saiu muito mais barato que fazer pelos métodos tradicionais, porque 45 planilhas num único arquivo XLS são coisa de doido.

Essas coisas estão ficando cada vez mais comuns. Recebemos arquivos cada vez mais complexos e nem sempre os filtros dos programas de memória de tradução dão conta do recado. Já peguei um ppt enfezado que travou WF e Trados, mas cedeu ao DVX e há certas coisas que só o StarTransit processa.

Ainda não aconteceu com você? Teu dia chega, você não perde por esperar.

Enquanto espera a sua vez, dê uma olhada aqui e volte amanhã, que tem mais. Obrigado pela visita.

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


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