O piloto automático

Ainda falando de fail, como o piloto automático manda traduzir fail como falhar, o fail to acaba sendo traduzido metodicamente por falhou em, o que é um absurdo.

He failed to come significa ele não veio – só isso. Ele falhou em vir existe, é bom português, mas significa outra coisa, significa que ele veio, mas isso foi uma falha. Mas, em um texto traduzido ele falhou em vir, geralmente significa que o inglês tem he failed to come.

Quem traduz no piloto automático acaba cometendo essas e outras e está correndo sério risco de, mais dia menos dia, se vir substituído por um tradutor eletrônico. Não se engane: Babelfish é uma droga, mas há coisas melhores e estão cada vez melhores.

Como conclusão, repito aqui o comentário do Fabio ao item anterior, cujo original você pode ler rolando um pouco a tela, se quiser:

O problema do “piloto automático” é uma das coisas que me impedem de achar que seja possível traduzir com qualidade quando se tem uma produção diária de, sei lá, 5.000 palavras ou mais (sem grandes repetições). Qualidade exige tempo, e quem liga o piloto automático não está a fim de gastar o tempo necessário para buscar essa qualidade.

Pois é, Fabio (sem acento mesmo?), conheço gente que acha 10.000 palavras por dia perfeitamente normal. Não duvido. Mas traduzir 10.000 palavras por dia como norma e produzir um texto de qualidade me parece tarefa para heróis.

Parece que vou começar a atualizar este blog todos os dias. Se você for do tipo religioso e gostar de ler estas coisas, reze por mim. Mas reza braba, por favor. Volte amanhã que tem mais.

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


Sem comentarios em "O piloto automático"


    O que achou do artigo? Deixe seu comentário.

    Pode publicar em html também