O tradutor e a globalização (2)

Este artigo é a continuação do anterior e faz parte de uma série que vai se estender ainda por alguns dias.

No princípio, a gente se atrapalha. Estamos tão acostumados a trabalhar pelo sistema brasileiro que muitas vezes pensamos que é o único sistema que existe, que em todo mundo é do mesmo jeito. Não, não é.

Talvez a primeira coisa a lembrar seja que os modos de medir o trabalho variam muito de um país para outro e que a praxe é cotar usando o método do cliente. Se o cliente pede uma cotação por palavra do original, não adianta cotar por lauda e adicionar uma longa explicação sobre o que possa eventualmente significar uma lauda, se é que alguém sabe direito.

Em seguida, é bom lembrar que, no mercado da América do Norte e Europa Ocidental, de modo geral cada um traduz para sua própria língua. Nesses mercados, é raríssimo alguém solicitar um trabalho do que aqui se chama “versão”. Mesmo que você se considere muito bom de traduzir para o inglês, é melhor não oferecer o serviço, que pode pegar mal. Se oferecerem para você, a conversa é outra. Na China e na Índia a situação é diferente e uma agência chinesa é perfeitamente capaz de pedir a um tradutor brasileiro que traduza do turco para o búlgaro. O que a maioria delas quer é pagar pouco, só isso. Também é bom, antes de aceitar o serviço, ver se eles querem português europeu ou brasileiro.

Gostaria de falar agora um pouco sobre a importância do pedido para clientes estrangeiros, mas estou cansado demais para isso. Amanhã tem mais.

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


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