Recebeu memória Trados protegida por senha?

Uma das broncas de todo tradutor é que as agências, além de manter os preços no mesmo nível há séculos, agora exigem os arquivos Trados “sujos”, para reciclar em traduções futuras, sem nos pagar um tostão a mais por isso. Quer dizer, nós temos que comprar e pagar o programa para aumentar o lucro delas.  Por outro lado, quando nos mandam memórias, sempre protegem a jóia com uma senha, para que não possamos nos apropriar de tanto tesouro.

Este programinha grátis, entretanto, permite desproteger memórias de Trados com toda a facilidade. Quer dizer, não adianta muito. Não deve ser o único.

O Google e a Microsoft usam traduções minhas para montarem seus programas de tradução automática, as agências reciclam as minhas traduções até cansar e só eu tenho que ficar aqui de bobão? Se é para liberar, então tem que liberar geral.

Post scriptum

Este meu bom humor e mania de fazer graça sem usar emoticons ainda vão acabar comigo. Um colega acaba de me escrever, educadamente, achando o artiguinho acima meio esquisito e agregando que, talvez, pudesse irritar as agências, porque estava instigando os tradutores a cometer uma ilegalidade. Aparentemente, a ironia se perdeu no caminho. Pensei que o estilo “revoltadinho” , que certamente não é o meu normal, deixasse clara a gozação.

De resto, acho que todos nós sabemos — ou devíamos saber — que tradução para agência é obra por encomenda e se torna propriedade intelectual da agência. Quer dizer, arrombar memória é tão ilegal quanto tirar cópia xerox de livro, ou usar Trados pirata, porque ambos violam a legislação de proteção à propriedade intelectual.

Por outro lado, toda e qualquer agência que mandar uma memória para um tradutor está correndo um risco de que alguém arrombe a dita cuja. Para cada fechadura, há ao menos uma chave.

Bem por isso, as agências com um mínimo de inteligência não fazem isso, mas pré-traduzem o material, guardando suas excelentíssimas memórias bem guardadinhas.

Os programas para desproteger arquivos (password removers) em inglês são muito usados, inclusive por gente que simplesmente bolou uma senha porreta num dia de alta criatividade e depois esqueceu completamente. Os mais populares são os desprotegedores de pdf.

Talvez eu devesse ter me expressado de outra maneira, mas, agora, já foi, paciência. Até reformei um parágrafo, para ficar menos agressivo, mas não tenho coragem de apagar o artigo.  Se alguma agência ficar zangada comigo, lamento muito, mas peço vênia para explicar que a informação foi obtida na lista do Trados,  onde terá um alcance muito maior do que terá aqui e, inclusive, será lida pelo pessoal da SDL.

Mas eu agradeço ao colega, que sempre me escreve com boas sugestões e comentários.

O mais interessante é que, antes de escrever, aproveitou para testar o programa em umas tantas memórias que tinha em casa, com bons resultados.

Vivemos em tempos muito interessantes.

Mas, de fato, vou tomar mais cuidado no futuro. Chato esse tipo de coisa.


EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


2 Comentarios em "Recebeu memória Trados protegida por senha?"

  • Ricardo Pereira Carneiro
    24/04/2015 (12:26 am)
    Responder

    sim gostaria de saber e ou receber novidades sobre o Trados e aonde posso conseguir senhas.

  • denise bottmann
    31/01/2010 (5:02 pm)
    Responder

    danilo, não se avexe, é impossível agradar a gregos e troianos. o que eu recebia e ainda recebo (agora menos, ufa) de e-mails criticando meu estilão é brincadeira! no começo eu ficava triste e chateada, mas aí meu marido me consolava e eu me recompunha. mas tinha gente implicando com tudo, desde minhas minúsculas – a um eu respondi que tinha sido excesso de cummings na infância; o fulano não gostou, achou a resposta elitista! – até meus emoticons – que era batido, ou que tirava a seriedade, ou que afetava a importância acadêmica da coisa – ou os próprios cotejos – que eu ia perder serviço, que ia ser processada, que era irresponsável, oportunista (!), estava sendo paga por alguém (!), atendia a interesses escusos de editoras para as quais faço traduções (!) – ou a abordagem mais geral do problema dos plágios de tradução – que era perniciosa para os tradutores (!), e por aí afora. e tem gente que consegue ser bem ofensiva, sabe?

    no fim, percebi que quem mais bate na gente é pessoal da área de tradução mesmo – e como o mundo é maior do que isso, hoje em dia me baseio mais pelo mundo do que por gente mais interessada em criticar minha forma pessoal de falar as coisas do que em entender o conteúdo objetivo das coisas que falo.

    agora, mesmo eu não entendendo nada de trados, entendo que há aí uma questão objetiva, interessante e pertinente que vc está levantando. e é isso que importa. vc demonstrou, com o link, como é ridículo em tempos digitais botar tranca em memória eletrônica. o resto, como se diz, é trololó, que é gostoso quando é divertido e instigante, como costuma ser seu caso.


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